Archive | março, 2014

Barcelona, St. Paddy’s e mais…

31 mar

Ola!

Nao ando (nunca fui…) muito criativa com títulos pra posts ou textos. Lembro de uma vez ter que fazer um poema pra escola e o titulo mais apropriado que eu escolhi foi… “poema”. Mentira, nunca fiz isso, mas eu teria feito. Hoje senti uma vontade de postar aqui porque muita coisa tem acontecido.  Viajei pra Barcelona, voltei pro St. Paddy’s Day, tive visita de gente linda, tive uma semana mega pesada de estudos e, pra completar, tive a carteira roubada. Contarei tudo agora, porque sempre tem alguém que se interessa. Ou nao. Mas vamos la…

Fui visitar Beloca em Barcelona no meio de uma semana corrida de trabalhos pra entregar. Aproveitei bem a cidade – a noite, porque de dia estavamos sempre mortas. Eu, acordando “cedo” pra fazer meus trabalhos e Bela, acordando “cedo” pra… sei la porque. A verdade é que nao acordamos cedo nenhum dia e por isso o dia acabava muito rapido. Sorte eu ja ter ido a Barcelona antes, porque senao teria sido uma viagem desperdiçada. Mas no geral foi bem bacana porque pude dar um rosto aos nomes daqueles que Bela sempre me falava.

Voltamos pra Dublin pro St. Patrick’s, que foi uma loucura a parte. Começamos cedo em casa, fomos pra rua já a noite (tao percebendo que nao uso crase? Nao tem nesse teclado… tristeza), fomos num pub, depois outro pub e voltamos bem tarde pra casa. Um dia qualquer, exceto que estávamos de verde. As ruas estavam todas verdes cheias de gente, muita bagunça, bebida, gente louca. Um dia qualquer em Dublin também, exceto o fato da quantidade de turistas ter dobrado. Festa, festa, festa pra caramba, é isso que dubliners gostam. 

Durante a semana, recebi a visita de uma amiga querida da Hungria, outra Alemã e um Finlandês. Eram todos meus amigos na época de intercâmbio na França e reve-los fez dos meus dias mais feliz. Saudade de um intercâmbio “leve”! Quando eles foram embora, fui deixada sozinha… com mil trabalhos a serem terminados. Prova. Tristeza. Esse assunto nao merece ser prolongado.

Porque tudo isso terminou quando, num fim-de-semana de comemoração (“a parte ruim acabou!”), minha carteira foi roubada, com documentos, cartões, minha dignidade. Passei um belo fds tendo que resolver essas coisas, me sentindo uma inútil, porem feliz com o atendimento irlandês pra situações assim. Fui super bem tratada na delegacia (um beijo policial simpático!) e no telefone ao pedir cancelamento do meu cartão irlandês. Roubo aqui é considerado um problema social: a culpa nao foi minha e eles sabem disso. Infelizmente, no Brasil parece que a culpa é de quem foi roubado porque “nao tomou cuidado”. Nao vou nem começar a falar sobre assedio e violencia, porque ja deu pra entender aonde quero chegar com esse ponto. A questao é: posso nunca mais ver minha carteira, mas pelo menos tenho a certeza de que alguma coisa a policia irlandesa fez pra ajudar. Merece meu respeito. 

Esse post ja esta ficando muito longo, estou vou parar por aqui. Ate eu to com preguiça de reler o que eu escrevi. Desconsiderem os erros por ai… 

Beijos de saudade!

ps.: 2 meses and counting… Brasil, te vejo logo mais!

Shukran, Marrocos!

2 mar

Ola!

Tenho tido bastante preguiça de escrever sobre meu dia-a-dia no blog. Minha rotina ta basicamente igual a que era antes: aula, muita leitura, biblioteca, house parties, etc. Semana passa, porém, realizei um sonho de infância (obrigada, O Clone) e fui pra Marrocos!

Viajei com alguns brasileiros e minha roommate canadense. Ficamos num hostel muito, muito simpático no centro da cidade de Marrakesh, na medina. A cidade “velha” é rodeada por muros, enquanto que a cidade nova fica fora de tais muros. É como se fosse a “Avenida Contorno” de BH. O primeiro susto ao chegar na cidade foi o clima: sol, céu azul, temperatura amena (20 graus! chorei!). Logo no caminho do hostel, percebi como o transito era maluco – sem calçada, sem sinalização, muita moto e bicicleta. Uma loucura. Decidi logo naquele primeiro momento que essa viagem seria inesquecível… e foi!

Fomos recebidos com cha, biscoitinhos e chicha (narguilé) de graça no hostel. Foi lindo, minha gente! Que delicia ser bem tratada num lugar tao diferente quanto Marrocos. As pessoas sao todas muito hospitaleiras, sempre oferecendo cha. Arrastamos muito nosso sari pela medina pra ver o comércio, que  é simplesmente MALUCO: muitas lojinhas que vendem basicamente as mesmas coisas, muito vendedor chato que te puxa pra dentro das lojas e grita “BRASIL”  e “GALO” o tempo todo (verdade seja dita: quando gritavam Galo, eu gritava de volta e ficava muito feliz! haha), muita mulher coberta dos pés a cabeça querendo fazer henna ou ler a sua mao, e muito, muito suco de laranja por menos de 50¢ (felicidade define!).

A cultura local é muito forte. Vi poucos lugares na medina que eram ocidentalizados. A religião dominante é o Islamismo, representado pelas mesquitas, véus, longas barbas, roupas típicas e comidas halal (comida “permitida”). Ouviamos 5x por dia a voz do Muezim (ou Almuadem) que convida os fiéis a orar. É um chamado bem alto que pode ser ouvido de qualquer ponto da medina.

O ponto alto da viagem foi com certeza a viagem ao deserto do Saara. Fizemos um tour de 3 dias pro sul do Marrocos, passando por varias vilas e montanhas. Fui a intérprete oficial do grupo, porque eu era a única que falava francês (uma das línguas oficiais do Marrocos). Nosso motorista nao falava ingles, entao ele me gritava a cada minuto (ou segundo…) pra me contar algo e traduzir pra galera. Fui gentilmente apelidada de Fatima por ele. Sinceramente, achei simpatico nos primeiros minutos. Depois de 3 dias ouvindo-o me gritar “Fatimaaaaaaaa”, eu tava desejando ser esquecida no meio do deserto tamanho era o desespero que me dava em nao poder fechar os olhos na van. Todo mundo cansado e o doido do motorista nao deixava ninguém dormir. Tudo foi amenizado, porém, quando fomos nos aventurar no Saara. Fomos de camelo (dromedário, na verdade) no por-do-sol até os resquícios de civilização desaparecerem e so restar areia. E mais areia. E um pouco mais de areia pra completar a paisagem. A noite, o céu era tao lindo e estrelado que nos reunimos em volta de uma fogueira, ao som de música local, pra observar as estrelas. Dormimos em tendas e acordamos ao som de um “bérbere” (povo local que habita o norte da Africa) nos chamando pra retornar pra cidade. Vimos o nascer do sol no silencio do deserto, sendo conduzidos por camelos que parecem bem acostumados a essa rotina. Sensacional. Voltamos entao pra nossa nova rotina de cha, chicha e sol.

Pra quem acompanha minha saga “De que país eu venho?”, achei que eu tivesse descoberto nessa viagem. Me perguntaram varias vezes se eu era marroquina e se eu falava arabe. Me disseram que meus olhos enormes sao marroquinos e que existem muitas pessoas de feições semelhantes em Marrocos. Eu ja estava convencida e preparando um discurso pros meus pais (“vcs me compraram por quantos camelos?”), quando um local disse que na verdade eu tenho feições romenas. Pessoas da Romênia parecem comigo (ou vice-versa, mas gosto de pensar assim mesmo…). Ou seja, parece que essa questão ainda nao foi solucionada. Aguardem as cenas dos próximos capítulos pra resolver esse mistério.

Tenho certeza que a viagem nao teria sido metade do que foi se os companheiros de viagem nao fossem tao legais. Todos muitos simpáticos e divertidos. Sentirei saudades quando eu voltar ao Brasil, mas guardarei no coração a certeza de que essa foi uma das melhores viagens da minha vida.

Beijinhos de saudade 🙂