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Shukran, Marrocos!

2 mar

Ola!

Tenho tido bastante preguiça de escrever sobre meu dia-a-dia no blog. Minha rotina ta basicamente igual a que era antes: aula, muita leitura, biblioteca, house parties, etc. Semana passa, porém, realizei um sonho de infância (obrigada, O Clone) e fui pra Marrocos!

Viajei com alguns brasileiros e minha roommate canadense. Ficamos num hostel muito, muito simpático no centro da cidade de Marrakesh, na medina. A cidade “velha” é rodeada por muros, enquanto que a cidade nova fica fora de tais muros. É como se fosse a “Avenida Contorno” de BH. O primeiro susto ao chegar na cidade foi o clima: sol, céu azul, temperatura amena (20 graus! chorei!). Logo no caminho do hostel, percebi como o transito era maluco – sem calçada, sem sinalização, muita moto e bicicleta. Uma loucura. Decidi logo naquele primeiro momento que essa viagem seria inesquecível… e foi!

Fomos recebidos com cha, biscoitinhos e chicha (narguilé) de graça no hostel. Foi lindo, minha gente! Que delicia ser bem tratada num lugar tao diferente quanto Marrocos. As pessoas sao todas muito hospitaleiras, sempre oferecendo cha. Arrastamos muito nosso sari pela medina pra ver o comércio, que  é simplesmente MALUCO: muitas lojinhas que vendem basicamente as mesmas coisas, muito vendedor chato que te puxa pra dentro das lojas e grita “BRASIL”  e “GALO” o tempo todo (verdade seja dita: quando gritavam Galo, eu gritava de volta e ficava muito feliz! haha), muita mulher coberta dos pés a cabeça querendo fazer henna ou ler a sua mao, e muito, muito suco de laranja por menos de 50¢ (felicidade define!).

A cultura local é muito forte. Vi poucos lugares na medina que eram ocidentalizados. A religião dominante é o Islamismo, representado pelas mesquitas, véus, longas barbas, roupas típicas e comidas halal (comida “permitida”). Ouviamos 5x por dia a voz do Muezim (ou Almuadem) que convida os fiéis a orar. É um chamado bem alto que pode ser ouvido de qualquer ponto da medina.

O ponto alto da viagem foi com certeza a viagem ao deserto do Saara. Fizemos um tour de 3 dias pro sul do Marrocos, passando por varias vilas e montanhas. Fui a intérprete oficial do grupo, porque eu era a única que falava francês (uma das línguas oficiais do Marrocos). Nosso motorista nao falava ingles, entao ele me gritava a cada minuto (ou segundo…) pra me contar algo e traduzir pra galera. Fui gentilmente apelidada de Fatima por ele. Sinceramente, achei simpatico nos primeiros minutos. Depois de 3 dias ouvindo-o me gritar “Fatimaaaaaaaa”, eu tava desejando ser esquecida no meio do deserto tamanho era o desespero que me dava em nao poder fechar os olhos na van. Todo mundo cansado e o doido do motorista nao deixava ninguém dormir. Tudo foi amenizado, porém, quando fomos nos aventurar no Saara. Fomos de camelo (dromedário, na verdade) no por-do-sol até os resquícios de civilização desaparecerem e so restar areia. E mais areia. E um pouco mais de areia pra completar a paisagem. A noite, o céu era tao lindo e estrelado que nos reunimos em volta de uma fogueira, ao som de música local, pra observar as estrelas. Dormimos em tendas e acordamos ao som de um “bérbere” (povo local que habita o norte da Africa) nos chamando pra retornar pra cidade. Vimos o nascer do sol no silencio do deserto, sendo conduzidos por camelos que parecem bem acostumados a essa rotina. Sensacional. Voltamos entao pra nossa nova rotina de cha, chicha e sol.

Pra quem acompanha minha saga “De que país eu venho?”, achei que eu tivesse descoberto nessa viagem. Me perguntaram varias vezes se eu era marroquina e se eu falava arabe. Me disseram que meus olhos enormes sao marroquinos e que existem muitas pessoas de feições semelhantes em Marrocos. Eu ja estava convencida e preparando um discurso pros meus pais (“vcs me compraram por quantos camelos?”), quando um local disse que na verdade eu tenho feições romenas. Pessoas da Romênia parecem comigo (ou vice-versa, mas gosto de pensar assim mesmo…). Ou seja, parece que essa questão ainda nao foi solucionada. Aguardem as cenas dos próximos capítulos pra resolver esse mistério.

Tenho certeza que a viagem nao teria sido metade do que foi se os companheiros de viagem nao fossem tao legais. Todos muitos simpáticos e divertidos. Sentirei saudades quando eu voltar ao Brasil, mas guardarei no coração a certeza de que essa foi uma das melhores viagens da minha vida.

Beijinhos de saudade 🙂